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Leão no vermelho, o declínio do Esporte Clube Flamengo.

A goleada sofrida pela equipe rubro-negra por um placar de 4x1 contra o 4 de Julho na primeira rodada do 2º turno do Campeonato Piauiense e a segunda troca de técnico na temporada, é um expoente da difícil situação enfrentada pelo o Esporte Clube Flamengo nos últimos anos, sem sede própria, o time perambula pelos campos da capital e até de Timon, em busca de um local para treinar. 

(Fonte: Acervo do Esporte Clube Flamengo)
A situação do Leão é bastante complicada e toda essa confusão começou com a venda da antiga sede do clube, que ficava localizada na avenida Barão de Gurgueia. Nessa primeira venda, o clube acabou negociando por um valor de 3,6 milhões de reais, boa parte do dinheiro desta transação foi usada pra comprar a sede do bairro Bela Vista. O clube acabou ficando de casa nova e com um dinheiro em caixa, mas tudo isso não durou tanto tempo assim, acumulando dividas trabalhistas a sede do clube acabou sendo penhorada pelo ministério do trabalho.

Em 2010 o ex-presidente Everaldo Cunha e o vice-presidente Jankel Costa, acabaram vendendo a sede do bairro Bela Vista pro grupo Arrocha o Nó S.A por um valor de 1,2 milhões de reais, segundo o ex-presidente e seu vice, o valor da venda serviu apenas para quitar os débitos com a justiça. 

Essa negociação toda se complica mais ainda quando um dos sócios do grupo que comprou a sede da equipe Rubro-Negra, é um ex-presidente do clube, o novo proprietário era o Ântonio Lisboa Lopes de Sousa Filho. O Esporte Clube Flamengo mesmo vendendo a sede, continuou usando e treinando no mesmo espaço até meados de 2012. 

Pouco tempo depois, em dezembro de 2013 o grupo Arrocha o Nó acaba vendendo a sede para uma rede de supermercados, dessa vez pelo valor de 9 milhões de reais. Na negociação existia uma contrapartida, o clube informava que construiria uma nova sede administrativa e social, o que nunca aconteceu. 
O que mais intriga os torcedores e uma parte da diretoria que entrou com ações na justiça contra a venda da sede, é a de que o Esporte Clube Flamengo nunca teve sequer o registro do imóvel, a certidão da sede ainda constava o nome da proprietária que vendeu o terreno na década de 1980, o nome que consta na certidão é a de Maria Robertson Sales Parente.

(Fonte: Globoesporte.globo.com/PI) 
Alguns torcedores, com apoio de parte da diretoria que contestava a venda da sede, criaram um grupo para cobrar na justiça comum e desportiva todo esse imbróglio que tinha se instalado no clube, o grupo se autointitulava de "Resgate Flamengo-PI" e uma de suas ações era a pedida da saída do presidente da época, Jankel Costa, onde questionavam que o seu mandato já teria acabado, que não fazia sentindo a permanência dele no cargo e pediam novas eleições. Jankel permaneceu na presidência até junho de 2015, quando ocorreram as eleições no clube e o novo presidente eleito era o até então vereador Thiago Vasconcelos. 

(Fonte: globoesporte.globo.com/pi)
Com a nova presidência, as perspectivas da torcida e até de parte da imprensa eram as melhores possíveis. O novo presidente prometia rescrever a história do clube, mudou o mascote do clube, que por muito tempo foi a Raposa e voltou a ser o Leão (primeiro mascote do Flamengo/PI), prometeu também lutar por uma nova sede do clube e reaver o dinheiro que sumiu com a venda da sede do Bela Vista. 

Logo no inicio da pré temporada de 2016, o primeiro estadual do Thiago Vasconcelos como presidente, a diretoria Rubro-Negra fez grande festa e apresentou o ídolo do Flamengo carioca, Athirson, como técnico da equipe para aquele ano e faziam a promessa de um forte elenco pra disputa do Campeonato Piauiense e Copa do Nordeste. 

(Dispensa do Flamengo em 2016.)
Mas a promessa de uma restruturação na imagem e estrutura do Leão acabou não se confirmando, o clube passou por grandes dificuldades na disputa dos dois campeonatos, principalmente na Copa do Nordeste. Em uma partida em São Luis para enfrentar o Sampaio Correia, a comissão técnica e o elenco sofreram bastante para chegar ao seu destino, em uma viagem em condições ruins que o percurso levou um total de 10 horas. A comissão e os jogadores ao chegarem em São Luis, não tinham sequer alimentação, a comissão técnica foi obrigada a ter que tirar dinheiro do próprio bolso para alimentar os atletas, pois a diretoria do clube não depositou nenhum valor para o custeio da alimentação dos jogadores. 

O clube no ano de 2016 ainda sofreu com outras situações absurdas, como o fornecimento de água não tratada, rato circulando pelo dormitório dos atletas, dispensa vazia e atraso de salários. Com tudo isso, o Athirson acabou saindo do comando do clube, houve debandada de atletas e o Flamengo ficou em situação complicadíssima.  

No ano de 2017 novas promessas, contração de grandes jogadores, caso do Eduardo, Fabinho, Naylson e Rafinha, todos eles atuaram pelo River na disputa da serie C e Copa do Nordeste de 2016. Se criou uma expectativa de boa temporada, título piauiense, classificação para a Copa do Nordeste e série D de 2018. O clube até chegou ir bem na fase de grupo do primeiro turno, se classificou para as semifinais mas caiu diante do Parnahyba. Em meio a tudo isso, murmurinhos de que os salários estariam atrasados e de que o atual presidente Thiago Vasconcelos deixaria o cargo surgiram.

Com o declínio do Esporte Clube Flamengo, só quem tem a perder é o Campeonato Piauiense e os torcedores de um modo geral, se perde uma das grandes equipes do futebol piauiense. É lamentável a disputa de clássicos como o Rivengo com o mando de campo do Rubro-Negro e em sua maioria ter a maior parte das arquibancadas preenchidas de torcedores do clube tricolor, quando nas décadas de 1960-1990 as duas torcidas lotavam o estádio Albertão. 

(Fonte: Acervo pessoal do Severino Filho, O Buim)

Talvez uma solução para a restruturação do Flamengo, seria de uma gestão mais pé no chão, não se pode dar um passo maior do que pode alcançar. Como o clube vem de um momento turbulento politicamente e financeiramente, não tem lógica montar equipes caras, com jogadores badalados, quando o clube ainda não tem o básico que é uma sede administrativa, um local próprio de treino, uma estrutura minima para participar de um campeonato. 

A diretoria poderia montar clubes caseiros, com jogadores prata da casa, assim como o Piauí vem fazendo a tempos ou até mesmo viver um ano sabático, resolvendo suas pendencias jurídicas, financeiras e estruturais e depois de tudo isso ,só assim voltar a disputar torneios e montar grandes equipes. O torcedor quer o Flamengo que ele conhece de volta, alguém precisa tirar o Mais Querido da UTI. 

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